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Afastamento de Wanderlei Barbosa e os impactos no cenário político do Tocantins

O afastamento do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), por decisão do STJ no âmbito da Operação Fames-19, insere o Tocantins em uma lista de estados onde governadores foram afastados ou investigados sob suspeita de corrupção, especialmente no uso de recursos públicos durante a pandemia da Covid-19. Casos semelhantes ocorreram no Rio de Janeiro, com Wilson Witzel, e no Amapá, com Waldez Góes enfrentando investigações — ainda que em contextos diferentes. Esse histórico mostra como os tribunais superiores e a Polícia Federal têm se tornado cada vez mais decisivos na vida política dos estados, criando um ambiente de instabilidade administrativa.

No Tocantins, a situação é particularmente sensível. O estado já acumula um histórico de mudanças abruptas no Executivo: desde 2004, nenhum governador conseguiu concluir um ciclo completo de dois mandatos consecutivos. O afastamento de Wanderlei reforça essa tradição de crises e reconfigura o tabuleiro político.

A entrada de Laurez Moreira

Com a posse de Laurez Moreira (PSD) como governador em exercício, abre-se um novo capítulo. Ex-prefeito de Gurupi, Laurez chega ao Palácio Araguaia com a missão de recompor a administração, reconstruir a credibilidade do governo e articular politicamente uma base de apoio própria. Sua postura inicial — de exonerar todo o secretariado ligado a Wanderlei e iniciar uma reorganização — sinaliza que não pretende atuar apenas como um “gestor interino”, mas como figura com ambição de protagonismo.

O apoio que Laurez conseguir consolidar nos próximos meses será determinante. Ele terá de equilibrar o desafio de governar sob a sombra da operação judicial com a necessidade de preparar o terreno para as eleições de 2026, onde pode se colocar como candidato competitivo caso consiga entregar estabilidade e diálogo.

Perspectivas para 2026

No campo eleitoral, o afastamento de Wanderlei embaralha as peças.

  • Para o Governo do Estado, Laurez Moreira pode emergir como candidato natural se consolidar uma gestão estável. Porém, outros nomes já são ventilados, como Amélio Cayres (Republicanos), Dorinha Seabra (UB), Mauro Carlesse (Agir), e outras possíveis lideranças regionais que enxergam espaço diante do vácuo deixado pelo grupo de Wanderlei.
  • Para o Senado, a disputa tende a ser igualmente intensa. O Tocantins terá duas vagas em 2026, o que abre espaço para recomposição de forças. Figuras tradicionais, como o próprio Irajá (PSD), fortalecido com a ascenção de Laurez, Eduardo Gomes (PL), vice-presidente do senado, Carlos Gaguim (UB), Vicentinho Júnior (PP) e Alexandre Guimarães (MDB) já se posicionam no tabuleiro. Dependendo do desempenho de Laurez, ele pode articular alianças decisivas para influenciar diretamente nessa configuração.

O afastamento de Wanderlei Barbosa não é apenas um episódio isolado, mas parte de um padrão de instabilidade que atinge o Tocantins. A ascensão de Laurez Moreira coloca em pauta um novo projeto político, que pode tanto abrir caminho para uma liderança de centro esquerda consolidada quanto fragmentar ainda mais o quadro eleitoral. A grande incógnita é se o governador em exercício terá tempo e capital político suficientes para transformar a crise em oportunidade e, assim, projetar-se como um dos protagonistas das eleições de 2026, além do que, Wanderlei Barbosa irá lutar até as últimas instâncias para retornar ao palácio Araguaia.

Foto de Tomaz Xavier

Tomaz Xavier

Tomaz da Silva Xavier Formado em Pedagogia pela UFPI Jornalista de profissão há 22 anos Apresentador de TV e Radialista

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