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O efeito Carlesse: quem ganha e quem perde com a nova configuração política para 2026?

A desistência do ex-governador Mauro Carlesse da disputa ao Senado em 2026 abriu uma série de questionamentos nos bastidores da política tocantinense. Oficialmente, a decisão foi atribuída à reorganização partidária e ao alinhamento estratégico do grupo político. Nos corredores do poder, porém, as especulações são inevitáveis.

A primeira delas envolve a possível volta de Kátia Abreu ao centro do tabuleiro eleitoral. Com duas vagas ao Senado em disputa, a ex-senadora continua sendo um dos nomes mais competitivos da política tocantinense e mantém influência sobre um grupo político consolidado. A saída de Carlesse poderia representar uma acomodação de interesses para evitar conflitos internos e abrir espaço para uma candidatura considerada mais viável eleitoralmente.

Outra hipótese diz respeito à situação jurídica do próprio Carlesse. Embora continue exercendo influência política, é inegável que as questões judiciais que o acompanham geram incertezas sobre sua elegibilidade futura. Em um cenário de indefinição, retirar o nome agora pode ter sido uma forma de evitar desgaste e preservar capital político, deixando aberta a possibilidade de atuar como articulador ou apoiador em vez de candidato.

Mas talvez o principal impacto esteja na composição do grupo liderado pelo vice-governador Laurez Moreira. Caso o projeto reúna nomes como Irajá Abreu, Kátia Abreu e o próprio Laurez, surgirá uma equação política complexa. Há espaço para todos no mesmo palanque?

A história política recente do Tocantins mostra que alianças entre os grupos nem sempre terminam de forma harmoniosa. Por isso, uma dúvida começa a ganhar força: Laurez será o protagonista desse projeto ou corre o risco de ser novamente colocado em segundo plano diante da força eleitoral e da capacidade de articulação da família Abreu?

A pergunta pode parecer provocativa, mas encontra respaldo na memória política do estado. Kátia e Irajá são políticos experientes, possuem estrutura, influência nacional e capacidade de mobilização. Em uma eventual composição, será necessário definir claramente quem lidera o projeto e quais espaços caberão a cada um. Caso contrário, as divergências podem surgir antes mesmo da campanha começar.

Nesse contexto, outro personagem entra na equação: Paulo Mourão. Histórico aliado de setores da centro-esquerda e nome respeitado em diferentes grupos políticos, Mourão pode se transformar em peça-chave nas negociações. Uma das possibilidades ventiladas nos bastidores seria sua candidatura ao Senado, enquanto Kátia Abreu poderia compor uma chapa majoritária como vice-governadora. Embora ainda seja apenas especulação, a movimentação faria sentido do ponto de vista estratégico, ampliando alianças e fortalecendo um eventual projeto de poder.

O fato é que a saída de Carlesse produz mais perguntas do que respostas. Ela altera o equilíbrio das forças políticas, abre espaço para novas composições e acelera negociações que provavelmente se estenderão pelos próximos meses.

Se existe uma certeza neste momento, é que a disputa de 2026 começou muito antes do calendário eleitoral. E, como acontece em toda grande partida de xadrez político, os movimentos mais importantes são justamente aqueles que acontecem antes da abertura oficial do jogo.

Foto de Tomaz Xavier

Tomaz Xavier

Tomaz da Silva Xavier Formado em Pedagogia pela UFPI Jornalista de profissão há 22 anos Apresentador de TV e Radialista

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