Gestor enfrenta segunda denúncia em menos de dez dias e vive maior crise política de seu mandato
O pedido de impeachment contra o prefeito de Colinas do Tocantins, Josemar Carlos Casarin, foi aceito pelos vereadores durante a sessão realizada nesta segunda-feira, 27, no plenário da Câmara Municipal. A denúncia foi protocolada pelo jornalista Ricardo Fernandes e obteve 10 votos favoráveis e três contrários, marcando mais um capítulo da crise política que se aprofunda na cidade.
O gestor enfrenta uma das fases mais turbulentas de sua trajetória. Em menos de dez dias, dois pedidos de impeachment foram protocolados, evidenciando o isolamento político do prefeito, que atualmente conta com o apoio de apenas três dos 13 vereadores.
Novas acusações e base legal
O novo pedido, apresentado pelo cidadão Victor Augusto Mariano, acusa Casarin de cometer infrações político-administrativas graves, como pagamento irregular de R$ 144.666,66 e locação de um imóvel público sem uso destinado ao Conselho Tutelar. As denúncias têm como fundamento o Decreto-Lei nº 201/1967, que prevê a cassação de mandato de prefeitos por atos contrários à legalidade e à moralidade administrativa.
Pagamento irregular e prejuízo ao erário
Segundo o documento, em 23 de dezembro de 2024, Casarin teria recebido valores referentes a “rescisão”, “13º salário” de anos anteriores, férias e outras rubricas acumuladas. O denunciante sustenta que prefeitos são remunerados por subsídio em parcela única, não podendo receber gratificações ou indenizações. A denúncia ainda aponta que a Lei Orgânica Municipal, alterada em dezembro de 2023, só teria validade a partir da próxima legislatura (2025–2028), tornando o ato ilegal e lesivo aos cofres públicos.
Contrato sem uso e desperdício de recursos
Outra irregularidade destacada é a locação de um imóvel para o Conselho Tutelar, firmada em maio de 2025, mas que nunca teria sido utilizado. Apesar disso, os pagamentos foram mantidos por quatro meses. Ao mesmo tempo, o prédio realmente ocupado pelo Conselho estaria sem contrato e sem pagamento desde abril de 2025, gerando risco jurídico e prejuízo ao município. O caso foi classificado como “dispêndio sem finalidade pública”, evidenciando má gestão de recursos e negligência administrativa.
Próximos passos e cenário político
As condutas atribuídas ao prefeito se enquadram como infrações político-administrativas e possíveis crimes de responsabilidade, conforme os artigos 1º e 4º do Decreto-Lei nº 201/1967. O denunciante pede a criação de uma Comissão Processante e o encaminhamento do caso ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas do Estado.
O presidente da Câmara, vereador Augusto Agra (União Brasil), ainda não se pronunciou oficialmente sobre a tramitação do novo pedido, mas deverá decidir se a denúncia será lida em plenário e se seguirá para análise de admissibilidade.
Isolamento e desgaste
Nos bastidores, o clima é de tensão e incerteza. Com uma base cada vez menor, Casarin enfrenta resistência no Legislativo e crescente pressão popular. Parlamentares afirmam que o governo perdeu governabilidade e que a Câmara deve atuar com independência na apuração das denúncias.
Histórico recente
O primeiro pedido de impeachment, protocolado no início de outubro por Ricardo Fernandes Almeida, já apontava o pagamento irregular de R$ 144.666,66 ao prefeito. O novo pedido, além de reforçar essas acusações, acrescenta a denúncia sobre o imóvel sem uso, ampliando o escopo das suspeitas.
Com duas denúncias de impeachment, apoio reduzido na Câmara e forte desgaste político, Josemar Casarin vive o momento mais delicado de seu mandato — com risco real de cassação e um cenário cada vez mais insustentável.






