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Dengue avança em ritmo acelerado e acende alerta sanitário em Araguaína

Em pouco mais de uma semana, confirmações saltam de 502 para 923 casos; recusas a visitas de agentes dificultam bloqueio de focos e ampliam risco de transmissão

O município de Araguaína registra uma escalada expressiva nos casos de dengue. Em apenas nove dias, o total de confirmações praticamente dobrou, passando de 502 até 12 de fevereiro para 923 casos confirmados até o dia 20, conforme dados atualizados pela Secretaria Municipal da Saúde.

No mesmo intervalo, as notificações também avançaram de forma significativa. Até o dia 12 eram 1.418 registros, sendo 502 confirmados, 378 descartados e 538 aguardando resultado laboratorial. Já no dia 20, o número de notificações atingiu 2.114, com 923 confirmações, 563 descartes e 628 exames pendentes. O acréscimo de mais de 400 casos confirmados em pouco mais de uma semana evidencia a intensificação da circulação do vírus na cidade.

O número de mortes confirmadas permanece em três, enquanto outros dois óbitos seguem sob investigação.

Resistência às visitas preocupa autoridades

Outro ponto que tem gerado apreensão é o aumento das recusas às visitas dos Agentes de Combate às Endemias (ACE). Somente neste ano, já foram contabilizadas 55 negativas de acesso aos imóveis — número superior à média de 12 recusas registrada no mesmo período de anos anteriores.

A resistência compromete o controle dos criadouros do mosquito transmissor, o Aedes aegypti. Em uma única residência, segundo a Secretaria, já foram identificados mais de 40 focos, situação que potencializa a propagação da doença para toda a vizinhança.

A secretária municipal da Saúde, Dênia Rodrigues, reforçou a necessidade de colaboração da comunidade. “Receber o agente é um ato de proteção coletiva. Muitas vezes, o morador acredita que não há risco, mas identificamos focos em locais inesperados. Uma única casa pode colocar toda a rua em perigo”, afirmou.

Denúncias de possíveis criadouros podem ser feitas pelos telefones (63) 3411-7125 ou via WhatsApp pelo número (63) 99131-7597.

Comitê intensifica monitoramento e ações emergenciais

Diante do cenário, foi instalada a Sala de Situação da Dengue, com reuniões semanais voltadas ao acompanhamento dos indicadores epidemiológicos e à definição de estratégias de contenção. O comitê reúne representantes da Vigilância Epidemiológica, Vigilância Entomológica, Controle Químico, Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS), Vigilância Sanitária, Departamento Municipal de Postura e Edificações (DEMUPE), Conselho Municipal de Saúde, Meio Ambiente e Atenção Primária.

Dados apresentados pelo grupo apontam que 85% dos bairros do município possuem casos prováveis de dengue e 73% apresentam transmissão ativa. Entre as localidades com maior incidência estão Araguaína Sul, Monte Sinai, São João, Vila Azul, Nova Araguaína, Setor Santa Terezinha, Setor Oeste, Setor Carajás e Raizal.

No enfrentamento direto ao vetor, já foram tratados 605 depósitos, eliminados 1.878 recipientes com potencial de acúmulo de água e neutralizados 1.263 focos do mosquito. Somente nos mutirões realizados entre 12 e 19 de fevereiro, foram erradicados 701 focos, enquanto os bloqueios eliminaram outros 562. Também foram recolhidos 200 pneus, considerados ambientes propícios à proliferação do inseto.

Fumacê percorre bairros com maior incidência

O carro fumacê integra as estratégias adotadas pela gestão municipal, com aplicação de inseticida em três ciclos, respeitando intervalo de cinco dias entre cada etapa. O objetivo é atingir mosquitos adultos que emergem após a primeira pulverização.

Entre 12 e 19 de fevereiro, o bloqueio químico com UBV notificou 19 imóveis, percorreu 58 quarteirões e realizou borrifação em 1.320 residências. Desde o início da operação em Araguaína, já foram trabalhados 2.037 quarteirões, alcançando 48.500 imóveis — o que representa 52% das ações programadas concluídas.

As aplicações ocorrem no início da manhã, das 5h às 8h, e no fim da tarde, das 17h às 20h, períodos de maior atividade das fêmeas do mosquito e de melhor dispersão do produto.

A administração municipal reforça que medidas simples, como eliminar recipientes com água parada e permitir a entrada dos agentes de saúde, são determinantes para conter o avanço da dengue e reduzir os impactos da epidemia na cidade.

Foto de Tomaz Xavier

Tomaz Xavier

Tomaz da Silva Xavier Formado em Pedagogia pela UFPI Jornalista de profissão há 22 anos Apresentador de TV e Radialista

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