Teerã nega qualquer diálogo com os EUA e diz que recuo americano ocorreu após ameaças, aumentando incerteza sobre trégua
Após elevar o tom contra o Irã no fim de semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (23) que determinou o adiamento, por cinco dias, de qualquer ação militar contra instalações de energia iranianas. A decisão foi divulgada em publicação na rede Truth Social.

Segundo Trump, houve avanços em conversas recentes envolvendo os dois países. Ele classificou os diálogos como “muito bons e produtivos” e indicou que as tratativas devem continuar ao longo da semana. Com base nisso, afirmou ter orientado o Departamento de Defesa a suspender temporariamente possíveis ataques, condicionando a medida ao progresso das negociações.
Pouco depois da declaração, o governo iraniano negou que tenha havido diálogo direto com os Estados Unidos e afirmou que o recuo americano ocorreu após ameaças feitas por Teerã. O impasse evidencia a divergência de versões sobre o estágio real das negociações.
De acordo com o site Axios, os contatos mencionados por Trump teriam ocorrido de forma indireta, com a participação de autoridades da Turquia, Egito e Paquistão, além do enviado da Casa Branca, Steve Witkoff, e do chanceler iraniano, Abbas Araghchi.
Em conversa com jornalistas, Trump voltou a adotar um discurso duro, afirmando que uma possível mudança de regime já estaria em curso no Irã. Ele também alertou que, caso as negociações não avancem, os Estados Unidos poderão retomar ataques em larga escala.
A tensão aumentou após a Guarda Revolucionária do Irã ameaçar fechar totalmente o Estreito de Ormuz e atingir instalações de energia de Israel, além de estruturas que abastecem bases militares americanas na região do Golfo. As declarações foram uma resposta direta ao ultimato feito por Trump no sábado (21), quando mencionou a possibilidade de destruir usinas iranianas caso o estreito não fosse reaberto.

O prazo estipulado pelo presidente americano se encerraria na noite desta segunda-feira, no horário de Brasília. Um eventual ataque contra a infraestrutura energética iraniana é visto como um risco de escalada significativa no conflito, que já se arrasta há mais de três semanas.
Em novos comunicados, a Guarda Revolucionária afirmou que, em caso de ofensiva, poderá atingir empresas com participação dos Estados Unidos no Oriente Médio e considerar como alvos legítimos instalações energéticas em países que abrigam bases americanas.
Outras autoridades iranianas também reagiram. O presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, declarou que o país está preparado para responder com força, atingindo infraestruturas estratégicas na região. Já as Forças Armadas iranianas indicaram que qualquer ataque resultaria em retaliações contra ativos energéticos ligados aos EUA.
Em tom mais moderado, o embaixador iraniano na Organização Marítima Internacional, Ali Mousavi, afirmou que o Estreito de Ormuz permanece restrito apenas a embarcações consideradas hostis, acrescentando que o Irã busca garantir a segurança da navegação para os demais países.






