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Cestas básicas, propina e lavagem de dinheiro: como funcionava o esquema que afastou Wanderlei Barbosa e a primeira-dama


A segunda fase da Operação Fames-19 levou ao afastamento do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) e da primeira-dama Karynne Sotero, acusados de chefiar um esquema milionário de desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro. O esquema envolvia políticos, servidores e empresários, com prejuízo estimado em R$ 73 milhões aos cofres do Tocantins.

As investigações mostram que, entre 2020 e 2021, em plena pandemia, verbas destinadas à compra de 1,6 milhão de cestas básicas e ao transporte dos alimentos foram desviadas. Muitas empresas contratadas foram abertas às pressas, sem estrutura, e usadas apenas para simular entregas. Parte das cestas sequer chegou às famílias em vulnerabilidade.

O esquema, segundo a PF, era dividido em núcleos:

  • Político: liderado por Wanderlei, Karynne e o ex-secretário da Setas José Messias, com apoio de deputados que liberavam emendas em troca de vantagens.
  • Servidores: responsáveis por fraudar licitações, atestar entregas falsas e movimentar recursos em espécie para o governador.
  • Empresarial: empresas de fachada usadas para justificar contratos milionários.
  • Financeiro: operadores distribuíam propina, que era chamada de “benção”, e usavam o dinheiro em lavagem de capitais.

Um dos principais destinos do dinheiro teria sido a Pousada Pedra Canga, empreendimento de luxo em Taquaruçu, no nome do filho do governador, Rérison Antônio Leite, que teria recebido mais de R$ 2,4 milhões em transferências.

A primeira-dama Karynne, além de articular documentos e liberações de contratos, também é citada em conversas sobre propinas. Até seu ex-marido, Paulo César Lustosa, teria atuado como intermediador de pagamentos ilícitos.

Com mais de R$ 97 milhões em contratos firmados, o escândalo envolve ainda dez deputados estaduais em exercício e outros que já deixaram a Assembleia. Os crimes investigados incluem peculato, corrupção passiva, fraude em licitação, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Foto de Tomaz Xavier

Tomaz Xavier

Tomaz da Silva Xavier Formado em Pedagogia pela UFPI Jornalista de profissão há 22 anos Apresentador de TV e Radialista

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