O militante do MBL criticou os custos institucionais do estado e defendeu abertamente o fim da unidade federativa.
A fala do fundador do Movimento Brasil Livre (MBL), Renan Santos, defendendo a extinção do Tocantins e sua reunificação com Goiás, ultrapassa o limite do debate político responsável e escancara uma visão reducionista, elitista e profundamente desrespeitosa com a história e o povo tocantinense. A reação foi imediata: Renan passou a ser fortemente rechaçado e “cancelado” nas redes sociais, alvo de críticas duras, ironias e acusações de desconhecimento da realidade regional.
Ao associar a instabilidade política do estado exclusivamente à sua criação, Renan ignora fatores estruturais presentes em diversas unidades da federação e tenta vender a ideia simplista de que acabar com o Tocantins seria solução mágica para problemas complexos. Trata-se de um argumento raso, que desconsidera décadas de luta popular pela autonomia administrativa e pelo desenvolvimento do então abandonado norte goiano.
A retórica utilizada pelo dirigente do MBL soa ainda mais grave por reforçar estigmas. Ao chamar a classe política local de “parasitária” e sugerir que o estado “não vale a pena”, Renan não ataca apenas políticos, mas atinge em cheio a população tocantinense, como se milhões de cidadãos fossem um erro administrativo a ser corrigido no mapa.
Nas redes sociais, a resposta foi contundente. Usuários classificaram a declaração como arrogante, colonialista e oportunista. Muitos lembraram que, antes da criação do Tocantins, a região vivia à margem das decisões, esquecida pelo poder central goiano. Outros ironizaram a lógica do MBL, comparando a proposta a ideias retrógradas como “voltar a ser colônia”.
Além disso, a tentativa posterior de “amenizar” a fala, elogiando o crescimento do agro, não convenceu. Pelo contrário: reforçou a percepção de que o discurso tem viés econômico seletivo — critica a existência do estado, mas reconhece seu potencial quando há interesse financeiro envolvido.
É inegável que o Tocantins enfrenta crises políticas recorrentes, mas usar isso como justificativa para defender sua extinção é um desvio intelectual e político. Estados não são descartáveis. Problemas institucionais se enfrentam com fortalecimento da democracia, das instituições de controle e da participação popular — não com apagamento histórico.
A onda de reprovação mostra que a declaração não caiu no esquecimento. Pelo contrário: Renan Santos virou alvo de boicote digital, perdeu apoio e viu sua imagem desgastada, especialmente entre tocantinenses e até entre pessoas que não compactuam com esse tipo de visão centralizadora.
No fim, a fala do fundador do MBL revela mais sobre o movimento e sua forma de enxergar o Brasil do que sobre o Tocantins. Um Brasil diverso, plural e federativo não se constrói com desprezo regional, mas com respeito à história, à identidade e à soberania de seus povos.






