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Entidades do agronegócio celebram sinal verde da União Europeia para acordo com o Mercosul

A aprovação da União Europeia para a assinatura do acordo comercial com o Mercosul foi recebida com otimismo por representantes do agronegócio brasileiro nesta sexta-feira (9). O tratado, cuja formalização está prevista para o próximo dia 17, criará a maior zona de livre comércio do mundo e deve ampliar de forma significativa o acesso de produtos do bloco sul-americano ao mercado europeu.

Para a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que reúne produtores de ovos e das cadeias de frango e suínos, a decisão europeia representa “um avanço relevante para a previsibilidade comercial e para o fortalecimento das relações entre os blocos, com impactos graduais e bem delimitados para o setor de proteínas animais”. Segundo a entidade, o acordo reforça o Brasil como fornecedor confiável, sustentado por critérios de sanidade, sustentabilidade e capacidade produtiva.

O Brasil aparece entre os principais beneficiários do tratado. Atualmente, a União Europeia já ocupa a posição de segundo maior destino das exportações do agro brasileiro, atrás apenas da China e à frente dos Estados Unidos. Nesse contexto, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) avaliou a aprovação como um passo decisivo, depois de mais de 20 anos de negociações e ajustes.

O presidente da Faesp, Tirso Meirelles, destacou que o tarifaço imposto pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no ano passado, evidenciou a importância de acordos bilaterais e multilaterais capazes de ampliar o alcance do comércio exterior brasileiro.

Mesmo setores que já operam sem tarifas na União Europeia veem ganhos com o acordo. A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) informou que, embora soja em grão, farelo de soja e milho não enfrentem barreiras tarifárias no bloco europeu, o tratado tende a trazer mais previsibilidade, redução de custos e priorização dos produtos brasileiros, fortalecendo a competitividade nacional nesses mercados. “O acordo poderá proporcionar maior previsibilidade aos exportadores, reduzir custos e ampliar a priorização dos produtos brasileiros, reforçando a competitividade do país nesses mercados”, afirmou a entidade em nota.

No segmento do café, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) avalia que o acordo pode representar um divisor de águas, especialmente para o café solúvel. O diretor-geral da entidade, Marcos Matos, explicou que o Brasil hoje enfrenta concorrência desvantajosa do Vietnã, que já possui acordo com a União Europeia e tarifa zero para esse produto. Pelo tratado UE-Mercosul, as tarifas do café solúvel e do café torrado e moído deverão ser zeradas em até quatro anos. “As previsões iniciais são de que a gente pode crescer até 35% nos próximos anos”, afirmou.

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, também avaliou que a consolidação do acordo abrirá novas oportunidades para a agropecuária do Mercosul e ampliará os negócios entre os blocos. Ele ressaltou ainda que as salvaguardas previstas no texto podem continuar sendo debatidas ao longo do processo de negociação e que os mecanismos são recíprocos.

As salvaguardas, aprovadas pelo Parlamento Europeu em dezembro, permitem a suspensão temporária de benefícios tarifários concedidos ao Mercosul caso a União Europeia identifique prejuízos a setores do agro local. A medida gerou críticas no Brasil. A diretora de relações internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), Sueme Mori, alertou anteriormente que esses dispositivos podem limitar exportações brasileiras, o que contraria o espírito de um acordo de livre comércio.

Apesar das ressalvas, a CNA avalia que o tratado eleva o patamar das relações comerciais e torna o Mercosul um parceiro preferencial da União Europeia. Um exemplo citado é a criação de cotas com impostos reduzidos para a carne bovina. Pelo acordo, Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai poderão exportar conjuntamente até 99 mil toneladas por ano, com tarifa inicial de 7,5%, considerada pequena, mas estratégica para a abertura do mercado europeu.

Foto de Tomaz Xavier

Tomaz Xavier

Tomaz da Silva Xavier Formado em Pedagogia pela UFPI Jornalista de profissão há 22 anos Apresentador de TV e Radialista

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