O Tocantins encerrou 2025 com indicadores positivos na área ambiental, apresentando redução significativa tanto no desmatamento quanto nas áreas atingidas por queimadas em comparação com o ano anterior. Os dados apontam uma queda de 21,6% na supressão da vegetação e de aproximadamente 34% na extensão das áreas queimadas no estado.
As informações são do Centro de Informações Geográficas em Gestão do Meio Ambiente (Cigma), que utiliza bases como o MapBiomas e o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter/Inpe). Criada em junho de 2024, a plataforma ampliou o acesso público aos dados ambientais por meio de painéis e mapas interativos, auxiliando técnicos e gestores na tomada de decisões mais ágeis e fundamentadas.
Fiscalização e prevenção fortalecidas
Para a Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, os resultados refletem o fortalecimento das ações de fiscalização, prevenção e educação ambiental, além da integração entre diferentes órgãos. O secretário da pasta, Marcello Lelis, avalia que a estratégia adotada consolidou uma política pública voltada à proteção dos recursos naturais e ao uso sustentável do território.
Entre os destaques está o Programa Foco no Fogo, que ao longo do ano promoveu atividades educativas e preventivas em 60 municípios. A iniciativa alcançou cerca de 20 mil pessoas, com ações realizadas em comunidades rurais, escolas e instituições públicas, por meio do trabalho conjunto do Comitê do Fogo.
Outra frente citada é o projeto Praia Consciente, voltado à promoção de práticas sustentáveis e à preservação ambiental em áreas de grande circulação. “O governo do Tocantins investiu fortemente em prevenção, monitoramento e combate, com ações como o Plano Integrado de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais, o fortalecimento do projeto Foco no Fogo nos municípios mais críticos e o lançamento do CIGMA, que nos permite tomar decisões a partir de dados e evidências. Esse conjunto de iniciativas reforça nosso compromisso com a proteção ambiental, a segurança das comunidades e o enfrentamento aos eventos climáticos extremos”, afirmou o secretário.
Redução das áreas queimadas e dos focos de incêndio
Entre janeiro e novembro de 2025, o fogo atingiu 1,834 milhão de hectares no Tocantins. No mesmo período de 2024, a área queimada foi de 2,775 milhões de hectares. Do total registrado em 2025, 72,6% correspondem a incêndios florestais, 13,4% a queimas não autorizadas e 12,7% a queimas prescritas — técnica de manejo controlado que contribui para reduzir o material combustível e a intensidade dos incêndios.
O número de focos de queimadas também apresentou queda relevante. Foram contabilizados 11.529 focos entre janeiro e dezembro de 2025, uma redução de 33,1% em relação aos 17.244 registrados no mesmo intervalo de 2024. Desse total, 61,6% são classificados como incêndios florestais, 24,7% como queimas não autorizadas e 7,8% como queimas prescritas.
Desmatamento em queda e menor ilegalidade
No recorte anual, o estado registrou 113,8 mil hectares desmatados em 2025, contra 145,3 mil hectares no ano anterior. Do total, 67,9% correspondem a desmatamento autorizado. Já o desmatamento não autorizado representou 26% das ocorrências, percentual inferior ao registrado em 2024, quando chegou a 28,9%. Outros 6,1% referem-se a desmatamento autorizado com deslocamento, quando a supressão ocorre fora da área descrita na autorização.
Atuação do Cigma e uso de tecnologia
Segundo o coordenador do Cigma e professor da Universidade Federal do Tocantins (UFT), Marcos Giongo, ao longo de 2025 o centro realizou mais de 467 atendimentos, atendendo demandas relacionadas à elaboração de relatórios, notas técnicas e soluções tecnológicas para a gestão territorial e ambiental do estado.
“A estrutura do CIGMA reúne uma equipe multidisciplinar e tecnologia avançada, integrando bases de dados estratégicas e ambientais por meio de mapas interativos e análises geoespaciais, o que garante mais eficiência institucional”, destacou. No período, também foram emitidos mais de 160 documentos técnicos sobre temas como clima, fogo, queimadas, desmatamento e uso do solo, reforçando o suporte à gestão pública e às decisões governamentais.






