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Governo Laurez vai à Justiça contra acordo de Wanderlei que destinou R$ 85 milhões à Pró-Saúde e R$ 20 milhões a advogados

O governo do Tocantins, sob o comando do governador em exercício Laurez Moreira (PSD), ingressou nesta sexta-feira (3) com uma ação anulatória na 2ª Vara da Fazenda Pública e Registros Públicos de Palmas contra um acordo judicial firmado na gestão do governador afastado Wanderlei Barbosa (Republicanos).

O processo tem como alvo a Pró-Saúde Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar e os escritórios Alberto Moreira Advogados e Associados e Moreira Schegerin Advogados. A Procuradoria-Geral do Estado (PGE) pede a anulação do acordo de R$ 85,9 milhões, firmado em dezembro de 2023, e que ainda prevê honorários advocatícios superiores a R$ 20 milhões.

Atualmente, o Estado vem realizando pagamentos mensais desde janeiro de 2024, divididos em 24 parcelas.


“Vícios formais e materiais”, aponta PGE

De acordo com o procurador-geral do Estado, Nivair Vieira Borges, autor da ação, o pedido de anulação “se impõe diante da constatação de vícios formais e materiais que macularam o procedimento de autocomposição”.

A PGE pede à Justiça a suspensão imediata dos pagamentos remanescentes, o bloqueio dos valores depositados judicialmente e o arresto cautelar das quantias já repassadas aos escritórios de advocacia.


Entenda o caso: da rescisão em 2012 ao acordo em 2023

O impasse teve origem em 2012, durante o governo de Siqueira Campos, quando o Estado rescindiu 17 contratos com a Pró-Saúde, que gerenciava unidades hospitalares.
Na época, foi reconhecida uma dívida de R$ 38,9 milhões, mas o valor não chegou a ser pago.

Em 2017, a entidade ajuizou uma Ação de Execução de Título Extrajudicial, cobrando o montante atualizado de R$ 79,4 milhões.

Anos depois, em 2022, a Pró-Saúde apresentou uma nova proposta de acordo, de R$ 149,1 milhões. No entanto, auditorias da Controladoria-Geral do Estado (CGE) indicaram que já haviam sido pagos R$ 93,1 milhões, restando R$ 31,3 milhões em aberto.

O governo então recalculou o débito para R$ 94,3 milhões, aplicou 10% de deságio, e chegou aos R$ 85,9 milhões, aceitos pela entidade.


Pagamentos e valores já repassados

Até o momento, o Estado realizou 13 depósitos judiciais, totalizando R$ 44,1 milhões.
Os escritórios de advocacia já receberam R$ 11,8 milhões em honorários.


PGE aponta ilegalidades e falta de interesse público

Segundo a Procuradoria, o acordo apresenta vícios de competência e irregularidades orçamentárias.

A PGE alega que a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) não deu anuência formal à negociação, apesar de ser o órgão responsável pelos contratos.
Além disso, o acordo não teria sido submetido ao Grupo Gestor do Gasto Público, etapa obrigatória para ajustes dessa natureza.

O procurador-geral sustenta ainda que a Sesau não possuía dotação orçamentária adequada, o que levou a PGE — órgão jurídico — a assumir uma despesa para a qual não tinha competência nem previsão orçamentária.

“A opção por um acordo com pagamento direto em 24 parcelas mensais, com desembolso superior a R$ 3,5 milhões mensais, sem uma justificativa contemporânea de interesse público estratégico, representa uma inversão indevida das prioridades estatais”, diz a peça.


Laurez classifica caso como “extremamente grave”

O governador em exercício, Laurez Moreira, comentou o caso logo após tomar posse, classificando-o como “extremamente grave” devido ao impacto orçamentário.

“Mais do que uma questão jurídica, trata-se de um episódio que expõe sérios questionamentos éticos e levanta dúvidas sobre a forma como o patrimônio público vinha sendo administrado. É inaceitável que o Estado seja colocado em posição tão frágil em negociações que envolvem valores dessa magnitude”, afirmou.


Wanderlei rebate e defende legalidade do acordo

Em resposta, o governador afastado Wanderlei Barbosa divulgou nota negando qualquer irregularidade e acusando Laurez de tentar “macular a imagem e a honra” de sua gestão.

“[Laurez] repassa irresponsavelmente informações infundadas e inverídicas”, afirmou Wanderlei.

O republicano sustentou que o acordo garantiu redução de mais de 52% do valor cobrado originalmente, lembrando que a dívida vinha desde 2011 e 2012, e que o Tribunal de Contas do Estado (TCE) validou o cálculo dos valores.

“A forma de cálculo dos valores respeitou os preceitos aplicáveis à Fazenda Pública”, concluiu.


O que está em jogo

Com a ação, o governo Laurez tenta suspender os pagamentos e reaver os valores já quitados, alegando prejuízo ao erário e desrespeito a normas orçamentárias.
O processo será analisado pela 2ª Vara da Fazenda Pública de Palmas.

Foto de Tomaz Xavier

Tomaz Xavier

Tomaz da Silva Xavier Formado em Pedagogia pela UFPI Jornalista de profissão há 22 anos Apresentador de TV e Radialista

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