O consórcio responsável pela construção não se manifestou oficialmente sobre as reivindicações dos trabalhadores.
A construção da nova ponte Juscelino Kubitschek, que deveria simbolizar progresso e integração entre os estados do Tocantins e Maranhão, virou palco de revolta e denúncias graves. Os operários cruzaram os braços nesta terça-feira (5), escancarando um cenário de descumprimento sistemático de direitos trabalhistas, supostamente praticado pelo Consórcio Ponte de Estreito – responsável pela obra.
A paralisação coloca em xeque o prazo de entrega da ponte, previsto para dezembro deste ano. Com a greve, o cronograma está ameaçado — e com ele, a credibilidade do projeto.
Mais de 500 trabalhadores atuam diariamente na obra, inclusive aos fins de semana e feriados. Muitos, segundo relatos, enfrentam jornadas exaustivas sob o sol escaldante, sem receber adicional de insalubridade, horas extras ou sequer um salário digno.
“Estamos sendo explorados! Trabalhamos de domingo a domingo e recebemos só R$ 1.500. É esse o valor da nossa vida?”, questiona, indignado, um dos trabalhadores em vídeo que circula nas redes sociais. Os relatos apontam ainda para inconsistências nos contracheques e falta de transparência nas horas registradas.
Enquanto os operários enfrentam condições degradantes, o consórcio silencia. Até o momento, nenhuma manifestação oficial foi feita pela empresa. Já o DNIT, responsável por fiscalizar a obra, soltou uma nota protocolar, informando que está “acompanhando” o caso e que a questão das horas extras será analisada “caso a caso”.
A resposta morna do DNIT revolta ainda mais os trabalhadores, que exigem medidas imediatas e respeito aos seus direitos básicos. O Ministério Público do Trabalho (MPT) e sindicatos já foram acionados e devem entrar em cena para garantir que as obrigações legais sejam cumpridas.
A obra, que já chegou a 50% de execução após sete meses, pode se tornar símbolo de descaso e abuso trabalhista, caso o impasse não seja resolvido com rapidez e justiça. Por enquanto, a promessa de inauguração em dezembro está por um fio.






