Penas ultrapassam 170 anos de prisão; vítima foi sequestrada, torturada e morta em 2024 após cair em armadilha criminosa
A Justiça de Araguaína condenou quatro pessoas a mais de 170 anos de prisão pela morte do pecuarista Carloan Martins Araújo, de 62 anos. O crime ocorreu em outubro de 2024, quando a vítima foi sequestrada, torturada e assassinada após ser atraída para uma emboscada. A decisão, assinada pelo juiz Carlos Roberto de Sousa Dutra, da 1ª Vara Criminal de Araguaína, foi publicada no último dia 22 de setembro de 2025. Cabe recurso.
O crime
De acordo com o processo, Carloan buscava contratar trabalhadores para limpar e cercar um lote no setor Jardim Mangabeira. Ele foi atraído até a casa de Domingos Morais da Silva Abreu, onde acabou rendido por quatro homens. Durante horas, foi ameaçado e torturado, sob pressão para entregar dinheiro.
Sem acesso à própria conta bancária, o pecuarista foi obrigado a pedir a um amigo que depositasse R$ 2.500 na conta de um dos criminosos, que segue foragido. Insatisfeitos com o valor, os sequestradores também roubaram a caminhonete, o celular, a carteira e o cartão bancário da vítima.
Carloan desapareceu no dia 19 de outubro de 2024. Dois dias depois, em 21 de outubro, uma mulher encontrou o corpo ao perceber que um cachorro latia no quintal de uma casa no Jardim Mangabeira. Ela se aproximou e viu um braço enterrado em uma cova rasa. Segundo a Polícia Militar, a vítima estava encapuzada, com as mãos amarradas e sinais de morte violenta.
O delegado Márcio Lopes informou à época que o crime ocorreu após uma suposta contratação do grupo para prestação de serviços na fazenda da vítima.
Prisões
As investigações apontaram seis envolvidos no homicídio.
- Três suspeitos (dois homens e uma mulher) foram presos em Araguaína, em 24 de outubro de 2024.
- O quarto foi preso em Wanderlândia, em 27 de outubro.
- O quinto foi capturado em Palmas, no setor Morada do Sol II, em novembro do mesmo ano. Ele já possuía histórico de crimes como homicídio, roubo, sequestro e tráfico de drogas.
- O sexto envolvido foi identificado, mas segue foragido. Um mandado de prisão foi expedido contra ele em dezembro de 2024.
Condenações
- Aleksandro José da Conceição – 38 anos e 7 meses (latrocínio, extorsão mediante sequestro e ocultação de cadáver);
- Lucas Ferreira de Brito – 54 anos e 1 mês (latrocínio, extorsão mediante sequestro e ocultação de cadáver);
- Domingos Morais da Silva Abreu – 48 anos e 4 meses (latrocínio, extorsão mediante sequestro e ocultação de cadáver);
- Maria Eduarda Vieira Sousa – 30 anos (latrocínio).
Um quinto réu foi absolvido por falta de provas.
A defesa de Maria Eduarda informou que irá recorrer, alegando que ela é ré primária, mãe de uma criança de 4 anos e não teria participação comprovada no crime. A defesa de Lucas Ferreira não foi localizada.
Luto da família
Carloan era casado e trabalhava em sua própria fazenda. Sua filha, Elma Barros, destacou a dor da perda e a trajetória do pai.
“Meu pai foi um homem muito trabalhador, honesto, direito, uma pessoa de um coração enorme. Sou filha única e meus filhos foram filhos dele também. Ele teve cinco netos, que eram a vida dele. Estava formando meu filho mais velho em medicina, que sempre foi o orgulho dele”, disse.






