Decisões ao longo de 2026 apontam falhas técnicas graves e levantam debate sobre transparência e impacto no cenário político
A Justiça Eleitoral do Tocantins tem adotado uma postura mais rigorosa na análise de pesquisas eleitorais em 2026. Ao longo do ano, decisões judiciais vêm determinando a suspensão de levantamentos considerados irregulares, com base em falhas técnicas que comprometem a transparência, a confiabilidade dos dados e a possibilidade de fiscalização.
Um levantamento baseado em decisões do Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO) indica que, até o momento, pelo menos três pesquisas foram retiradas de circulação por ordem judicial. Todas as ações foram movidas pelo diretório estadual do União Brasil, que questionou o cumprimento das exigências legais por parte dos institutos responsáveis.
Apesar de as decisões se fundamentarem em critérios técnicos, o contexto político em que essas pesquisas foram divulgadas também chama atenção, especialmente por envolver cenários eleitorais que destacavam determinados nomes, como o do deputado federal Vicentinho Júnior.
Início do ano já indicava maior rigor
O movimento de fiscalização mais intensa começou ainda em janeiro. No dia 15 de janeiro de 2026, na Representação nº 0600003-36.2026.6.27.0000, a Justiça Eleitoral determinou a retirada de conteúdo por caracterizar propaganda eleitoral antecipada envolvendo Ataídes de Oliveira.
Na avaliação da Justiça, houve tentativa de influenciar o eleitor fora do período permitido por lei. A decisão reforçou o entendimento de que práticas irregulares seriam combatidas desde o período pré-eleitoral, sinalizando maior vigilância sobre condutas que possam interferir na liberdade de escolha do eleitor.
Pesquisas da EXATA.GO são suspensas no mesmo dia
No dia 1º de abril de 2026, duas pesquisas do instituto EXATA.GO foram suspensas em decisões distintas, mas com fundamentos semelhantes.
Pesquisa TO-06645/2026
(Processo nº 0600041-48.2026.6.27.0000)
A Justiça determinou a suspensão da divulgação após identificar ausência de informações obrigatórias no registro. Entre os principais problemas apontados estavam:
- falta de detalhamento geográfico da amostra
- ausência de distribuição dos entrevistados
- inexistência de perfil demográfico completo
Segundo a decisão, a ausência desses dados impede a verificação da metodologia utilizada. Sem possibilidade de auditoria, o levantamento foi considerado, na prática, como não registrado, o que torna sua divulgação irregular.
Pesquisa TO-01693/2026
(Processo nº 0600040-63.2026.6.27.0000)
No mesmo dia, outra pesquisa do mesmo instituto também foi barrada. Além da falta de dados obrigatórios, a Justiça apontou indícios mais graves, como:
- inconsistências na execução do levantamento
- registro de relatório antes da coleta de dados
- descumprimento de regras de transparência
A decisão destacou que essas falhas inviabilizam qualquer tipo de controle externo, comprometendo diretamente a credibilidade da pesquisa perante o eleitorado.
Instituto Veritá também é alvo de suspensão
Pesquisa TO-06700/2026 – Instituto Veritá
(Processo nº 0600046-70.2026.6.27.0000)
Decisão em 13 de abril de 2026
Uma terceira decisão ampliou o cenário de irregularidades. Desta vez, envolvendo o Instituto Veritá, a Justiça identificou uma série de problemas considerados ainda mais abrangentes, entre eles:
- ausência de declaração formal do estatístico responsável
- divergência entre os cargos registrados e os apresentados no questionário
- inclusão de perguntas não informadas previamente
- cronograma incompatível com a realização da pesquisa
Diante dessas inconsistências, a Justiça entendeu que a divulgação do levantamento poderia induzir o eleitor a erro e comprometer o equilíbrio da disputa eleitoral, determinando sua suspensão imediata.
Quem questionou os levantamentos
Todas as ações que resultaram na suspensão das pesquisas foram protocoladas pelo União Brasil no Tocantins. O partido argumentou que os institutos descumpriram normas essenciais da legislação eleitoral, especialmente aquelas relacionadas à transparência e à possibilidade de auditoria dos dados.
Padrão de irregularidades identificado
A análise conjunta dos processos revela um conjunto de problemas recorrentes nas pesquisas suspensas:
- ausência de informações essenciais para validação dos dados
- falhas na metodologia e na transparência
- impossibilidade de verificação independente
- risco de influência indevida sobre o eleitor
Pela legislação eleitoral, levantamentos que não atendem a esses critérios são considerados irregulares e, portanto, não podem ser divulgados.
Quantidade de pesquisas suspensas
Até o momento, com base nas decisões analisadas:
- 2 pesquisas da EXATA.GO
- 1 pesquisa do Instituto Veritá
Total: 3 pesquisas suspensas pela Justiça Eleitoral no Tocantins em 2026.
Impacto político e debate sobre o processo eleitoral
Embora as decisões judiciais não tratem de favorecimento político, o contexto em que essas pesquisas foram divulgadas levanta questionamentos relevantes. Isso porque alguns dos levantamentos suspensos apresentavam cenários que poderiam influenciar a percepção do eleitorado.
Em determinados casos, os resultados colocavam o deputado federal Vicentinho Júnior em posição de destaque, o que amplia o debate sobre o impacto de pesquisas irregulares no ambiente político.
Importante destacar que não há, nas decisões analisadas, qualquer conclusão sobre intenção de manipulação. No entanto, a repetição de falhas em levantamentos com potencial de influência reforça a necessidade de fiscalização rigorosa.
Cenário aponta maior controle eleitoral
A sequência de decisões ao longo de 2026 indica um movimento claro da Justiça Eleitoral do Tocantins no sentido de fortalecer o controle sobre pesquisas eleitorais.
Mais do que erros pontuais, os casos evidenciam um ambiente em que falhas técnicas podem gerar consequências diretas no processo democrático. Nesse contexto, a exigência de transparência, rigor metodológico e possibilidade de auditoria se torna fundamental para garantir que as pesquisas cumpram seu papel informativo sem comprometer a lisura das eleições.






