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Polícia Civil deflagra Operação 2º Tempo e investiga desvio de mais de R$ 5 milhões em Tocantinópolis

A Polícia Civil do Tocantins deflagrou, na manhã desta quinta-feira, 12 de março de 2026, a Operação 2º Tempo, com o objetivo de investigar um suposto esquema de desvio de recursos públicos do município de Tocantinópolis destinados a um clube de futebol da cidade. A ação foi coordenada pela 1ª Divisão de Repressão ao Crime Organizado (Deic).

Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em residências de investigados, em órgãos públicos e na sede do Tocantinópolis Esporte Clube. Entre os alvos está o prefeito Fabion Gomes.

Segundo as investigações, o prejuízo estimado aos cofres públicos ultrapassa R$ 5,1 milhões. O suposto esquema é investigado por crimes como peculato, falsidade ideológica, organização criminosa e lavagem de dinheiro. As diligências também ocorreram em endereços ligados ao presidente do clube, Leandro Pereira de Sousa, sargento da Polícia Militar, além de setores da prefeitura e do gabinete do prefeito.

Como funcionaria o esquema

De acordo com a polícia, as apurações foram baseadas em relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, que apontaram indícios de um sistema estruturado para desviar recursos públicos por meio de três mecanismos principais.

O primeiro seria repasses irregulares, quando gestores municipais autorizavam transferências de recursos ao clube mesmo após decisões do Tribunal de Contas do Estado do Tocantins apontarem irregularidades nesse tipo de pagamento.

Outro ponto investigado é o uso do clube como entidade de fachada, com suposta falsificação de documentos, como atas e recibos, para dar aparência de legalidade às transferências, que não teriam relação com atividades esportivas reais ou interesse público.

O terceiro eixo seria a lavagem de dinheiro, quando os valores transferidos ao clube seriam posteriormente distribuídos para contas pessoais de dirigentes e terceiros, além da realização de saques em dinheiro para dificultar o rastreamento dos recursos.

Histórico das investigações

Conforme a Polícia Civil, o fluxo de repasses investigado teria ocorrido de forma contínua entre 2009 e 2024. As irregularidades já eram conhecidas por órgãos de controle desde 2007, quando o Tribunal de Contas do Estado considerou irregular a prestação de contas daquele ano devido à ausência de autorização legal para as transferências.

Para o cumprimento das diligências, 34 policiais civis, entre investigadores e peritos, participaram da operação. Documentos administrativos, aparelhos eletrônicos e registros contábeis foram apreendidos e serão analisados para dar continuidade às investigações.

Entre os investigados há também um policial militar da ativa, motivo pelo qual a Polícia Militar do Estado do Tocantins prestou apoio às equipes durante a operação.

O nome Operação 2º Tempo faz referência à continuidade das ações de combate a esquemas criminosos que utilizam estruturas ligadas ao esporte para a prática de ilícitos.

Foto de Tomaz Xavier

Tomaz Xavier

Tomaz da Silva Xavier Formado em Pedagogia pela UFPI Jornalista de profissão há 22 anos Apresentador de TV e Radialista

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