Secretaria de Comunicação acumula dívidas superiores a R$ 33 milhões e gastos antecipados do exercício
A Secretaria de Comunicação do Estado (Secom) apresenta um panorama financeiro desafiador na gestão do governador Laurez Moreira (PSD), revelando dificuldades na execução orçamentária e no controle de despesas. Levantamentos iniciais indicam que a pasta já utilizou recursos além do autorizado, evidenciando uma situação delicada para a administração estadual.
O orçamento da Secom, inicialmente estimado em R$ 51 milhões e posteriormente acrescido em 25%, estava destinado ao uso entre março de 2025 e fevereiro de 2026. Entretanto, os registros apontam despesas próximas de R$ 57 milhões, superando em cerca de R$ 6 milhões o limite autorizado para empenho e desembolso financeiro até o início de 2026.
A secretária Luiza Rocha afirmou que sua equipe está realizando uma análise detalhada dos processos e destacou que a prioridade é honrar pagamentos a prestadores de serviços que cumpriram suas obrigações. “Estamos solicitando suplementação orçamentária junto ao Planejamento, porque do montante autorizado de R$ 25,5 milhões, apenas cerca de R$ 1,3 milhão permanece disponível para operação da pasta e quitação das pendências identificadas”, explicou.
Dívidas com fornecedores e veículos de comunicação ultrapassam R$ 33 milhões
O levantamento interno da nova gestão aponta que a Secom possui compromissos pendentes que somam R$ 33.394.088,46. O montante contempla pagamentos a agências de publicidade, veículos de mídia e diferentes fornecedores. A verificação minuciosa está sob responsabilidade da secretária executiva Ludimila Rodrigues dos Santos Galvão, especializada em auditoria e gestão contábil.
O ex-secretário da Secom, Márcio Rocha, comentou que, na sua gestão, a dívida total estimada era de R$ 24 milhões, sendo que R$ 10 milhões tinham sido liberados pelo comitê gestor na véspera do afastamento do governador Wanderlei Barbosa, mas não houve tempo hábil para efetivar a liberação no sistema. Rocha observou que o estouro do orçamento sempre foi recorrente e que limitações orçamentárias não justificam a inadimplência com fornecedores.
Ele também explicou que é comum que parte das obrigações financeiras seja transferida para o exercício seguinte, destacando que cerca de R$ 15 milhões permaneceriam para pagamento no ano subsequente, prática considerada habitual em gestões anteriores. “Quando assumi, quitamos passivos acumulados de cinco anos na comunicação, tudo dentro da legalidade”, finalizou o ex-secretário.






