Ao assumir o comando do Estado, o governador em exercício Laurez Moreira (PSD) suspendeu o contrato e devolveu a aeronave
Reportagem da TV Anhanguera revelou que o governador afastado do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), utilizou um jatinho contratado pelo Estado para diversas viagens de lazer e compromissos pessoais. A aeronave, de médio porte e alto desempenho, foi alugada por cerca de R$ 20 milhões ao ano, com valor fixo, independentemente da quantidade de voos realizados.
Documentos obtidos pela emissora indicam que o jatinho foi usado para deslocamentos a destinos turísticos e viagens familiares. Entre elas, o retorno dos Lençóis Maranhenses a Palmas, em janeiro, custou cerca de R$ 141 mil aos cofres públicos. Em fevereiro, outra viagem de R$ 86 mil levou o governador e aliados a uma partida entre o Atlético Mineiro e o Tocantinópolis. Já em março, um voo para Brasília, no qual estavam o deputado Léo Barbosa e outros familiares, teve custo aproximado de R$ 89 mil.
Outros trajetos chamaram atenção: em maio, Wanderlei viajou a Campina Grande (PB), sob justificativa de “missão oficial”, mas sem compromissos públicos registrados, e no mesmo período publicou nas redes sociais que estava em Palmas. O deslocamento custou cerca de R$ 165 mil. Dias depois, outro voo, envolvendo familiares como Rérison Castro, filho e superintendente do Sebrae Tocantins, gerou despesa de R$ 286 mil. Houve ainda uma viagem para Minaçu (GO), em julho, para uma reunião familiar, avaliada em R$ 50 mil.
Ao assumir o comando do Estado, o governador em exercício Laurez Moreira (PSD) suspendeu o contrato e devolveu a aeronave, alegando que o gasto não é prioridade e prometendo mais rigor com despesas semelhantes. A decisão ocorreu durante o afastamento de Wanderlei e da primeira-dama Karynne Sotero, determinado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no âmbito da Operação Fames-19, que apura um suposto esquema de desvio de R$ 73 milhões em contratos de cestas básicas e frangos congelados entre 2020 e 2021.
A defesa de Wanderlei sustenta que o contrato de locação do jatinho seguiu todos os trâmites legais e que as viagens ocorreram dentro de agendas oficiais. O Sebrae Tocantins afirmou não ter relação com os deslocamentos citados, e o deputado Léo Barbosa informou que acompanhou o pai em compromissos institucionais em Brasília, negando qualquer irregularidade.
Até o momento, nem a Polícia Federal nem o Ministério Público do Tocantins confirmaram se haverá investigação específica sobre o uso da aeronave.






